Publicado em 2017-11-30

O templo de Deus

1 Cor. 3:16-17, 6:19, 2 Cor. 6:16

Segundo a Bíblia nós somos o templo de Deus. Isto é grandioso e profundo! O facto de Deus viver em nós, de o Espírito Santo habitar em nós, é um enorme privilégio e uma grande responsabilidade. Precisamos tomar consciência deste facto, do seu significado profundo e importância, para usarmos bem o templo de Deus e sermos bons sacerdotes.

Há templos em ruínas, onde o culto já não se pratica. Há templos sub-aproveitados, com funções diminutas. Há templos avivados e muito activos, onde se glorifica a Deus e se abençoa as pessoas. É importante avaliar como está o nosso templo e fazer as reformas necessárias.

A importância do templo

O templo ocupa um lugar central nos planos e preocupações de Deus. Logo que o povo de Israel saiu do Egipto, a primeira grande tarefa foi construir «o templo», ou seja, o tabernáculo. O tabernáculo é tão importante que ocupa 15 capítulos do livro de Êxodo, ou seja quase metade desse livro.

Haviam três razões fundamentais para a grande importância do tabernáculo. –A primeira razão é que o tabernáculo era o meio e a forma para Deus poder habitar no meio do seu povo e se manifestar a ele – como está escrito, «E me farão um santuário, e habitarei no meio deles.» Exo. 25:8. A segunda razão é que o tabernáculofoi o meio escolhido por Deus para demonstrar o seu plano de salvação através dos séculos - através dos sacrifícios de animais, uma figura do sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário. A terceira razão é que o tabernáculo era o lugar escolhido e preparado por Deus para o seu povo lhe prestar culto e para Deus os abençoar.

Estas três razões faziam do templo o lugar central da vida de Israel - o lugar mais importante e primordial. O povo de Israel não podia viver sem o templo! Andaram com o tabernáculo às costas durante 40 anos no deserto. Montaram e desmontaram o tabernáculo centenas de vezes. Mas era-lhes impossível viver sem o templo. A presença de Deus era-lhes indispensável para a sua provisão e protecção no deserto. Os sacrifícios eram inadiáveis pois serviam para eliminar os efeitos nefastos do pecado. O culto a Deus era a única forma de satisfazer a alma e de receber a bênção de Deus.

Depois do povo de Israel entrar na terra prometida, Salomão construiu um templo magnífico para o Senhor. As mesmas razões motivaram a construção desse templo: a presença do Senhor, os sacrifícios, símbolo da salvação, e o culto a Deus (2 Cro. 7:1-5). O templo de Salomão foi destruído pelo rei Nabocudonozor e o povo de Israel foi levado cativo para a Babilónia. O povo de Deus viveu aí muitos anos sem templo. Foram anos amargos, difíceis, conturbados e tristes… O Salmista diz que deixaram de cantar os hinos e de tocar os instrumentos; «…choravam lembrando-se de Sião» (Sal. 137:1-6).

Quando regressaram do cativeiro, a primeira coisa a fazer foi a restauração do templo. O sacerdote Esdras com Zorobabel, apoiados pelo rei Ciro da Pérsia, foram reedificar o templo. Era um templo mais comedido e simples do que o templo de Salomão, mas as mesmas três razões motivaram a sua reconstrução: a presença do Senhor no meio do povo; recomeçar os sacrifícios; e prestar culto a Deus.

O rei Herodes, ao serviço dos romanos, gastou muito dinheiro e tempo (46 anos) a reconstruir e embelezar o templo, para agradar aos judeus. Também aqui as razões do templo não se alteraram: a importância da presença de Deus, a necessidade dos sacrifícios e de prestar culto a Deus. Este foi também o templo dos dias de Jesus: onde Jesus foi apresentado ao Senhor pelos seus pais, onde Jesus ministrou (Luc. 2:46) e onde foi tentado pelo Diabo (Mat. 4:5). Este templo foi destruído pelo general Tito, no ano 70 DC.

Durante este longo período, os vários templos existiram pelas mesmas três razões: dar lugar à presença de Deus, demonstrar a tipologia da salvação e prestar culto a Deus.

O fim do templo do Antigo Testamento

No ano 70 DC o último templo judaico foi destruído e nunca mais se ergueu. No seu lugar foi construída uma grande mesquita árabe, a Mesquita de Omar. Os israelitas querem edificar o seu templo e têm todos os materiais preparados… Eles oram e choram junto ao muro das lamentações.

Mas o templo não tem razões para existir hoje, nos moldes do Antigo Testamento, desde que Jesus Cristo morreu na cruz do Calvário e ressuscitou.

As razões importantes do templo mantêm-se, mas mudaram de lugar: o templo de Deus foi transferido para o coração dos crentes e da Igreja. Salomão já tinha a noção de que o templo que ele edificara, apesar de grandioso, não era a morada de Deus. Ele exclamou: «Mas verdadeiramente habitará Deus com os homens na terra? Eis que o Céu e o Céu dos Céus não te podem conter, quanto menos esta casa que tenho edificado.» (2 Cro. 6:18).

Deus já havia declarado pelo profeta que «não habitava em templos feitos pelas mãos dos homens» (At. 7:48-49, 17:24). O templo do Antigo Testamento era simbólico, como eram simbólicos os sacrifícios e os rituais do culto, os quais apontavam para realidades concretas futuras relatadas no Novo Testamento. As funções do templo no Antigo Testamento eram provisórias; as funções reais e permanentes seriam desempenhadas pela Igreja no Novo Testamento.

A presença de Deus no templo no Antigo Testamento era provisória e precária

Não havia contacto directo, o povo não podia chegar a Deus. Não havia comunhão directa por causa do termo de separação imposto a Moisés. Mas Deus desejava mais comunhão com o povo.

Assim, Jesus morreu na cruz, rasgou o véu do templo e trouxe Deus para dentro de nós! A redenção trouxe o Espírito Santo para os nossos corações.

Os nossos corações tornaram-se o templo de Deus! Maravilha das maravilhas.

A Bíblia afirma isto muitas veze. «E, porque sois filhos, Deus enviou aos nosso corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba Pai» (Gal. 4:4-6). «Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?» (1 Cor. 3:16).

«…porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.»

«Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus..?» (1 Cor. 6:19). «Porque vós sois o templo de deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei…» (2 Cor. 6:16). «…faremos nele morada.» (João 14:23).

Que Deus Triuno mora em nossos corações é uma verdade absoluta bem documentada na Bíblia. Isto é grandioso e profundo demais para a nossa mente, mas é absolutamente verdade. Deus habita em nós! O facto de Deus habitar em nós, de fazer de nós o seu templo e do Espírito Santo, é um grande privilégio:

  • pela segurança que a presença de Deus nos dá - Moisés rogou a presença de Deus para segurança no deserto;

  • pela paz e pela alegria que a presença de Deus transmite - a Bíblia diz: «na presença de Deus há abundância de alegria», através da comunhão com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo, que brota da presença de Deus em nós.

O habitar de Deus em nós é também uma grande responsabilidade! Duas vezes Deus pergunta: «Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito Santo habita em vós ? » (1 Cor. 3:16). «Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo que habita em vós…?» (1 Cor. 6:19). Isto significa que nós vivemos parte da nossa vida ignorando esta grande verdade. Fazemos e dizemos coisas como se Deus não estivesse dentro de nós. Há crentes que ignoram isto, parece que não sabem que Deus habita neles e fazem coisas que Deus não gosta e entristecem o Espírito Santo.

No livro de Efésios (4:17-31) o Apóstolo Paulo indica como deve ser a conduta dos cristãos. Ele alerta os crentes sobre pecados que possam vir a cometer e para não entristecerem o Espírito Santo. Por isso Deus pergunta: «não sabeis?» «não sabeis?

É necessário que tenhamos uma consciência viva de que Deus e o Espírito Santo vivem em nós e que sejamos santos.

No templo do Antigo Testamento a salvação demonstrava-se através dos sacrifícios

Os sacrifícios foram muito importantes durante séculos porque simbolizavam o futuro Messias e a obra redentora de Cristo. Hoje, não faz sentido matar animais nem derramar sangue sobre o altar.

Jesus Cristo cumpriu toda a tipologia no seu Ministério e na cruz. Agora essa demonstração é feita na vida dos crentes, no seu testemunho e pela pregação do evangelho. «Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis…» (1 Ped. 2:9). Os crentes remidos estão cumprindo essa função, ou seja, a missão do templo no Antigo Testamento foi transferida para a Igreja e para os crentes.

O culto a Deus, que era outra função importante do Templo, foi transferido para os crentes e para a Igreja.

O verdadeiro culto a Deus é prestado por cada crente e pela Igreja. O Templo do Antigo Testamento não é necessário hoje. Os judeus estão ávidos para reedificar o templo e continuar com os sacrifícios porque recusaram o Messias. Jesus preencheu todas as funções do templo:

-A a presença de Deus – ela foi totalmente resolvida quando Ele enviou o Espírito Santo para os nossos corações e nos baptizou com o Espírito Santo.

  • a parte sacrificial – Jesus resolveu-a, dando a sua vida na cruz do Calvário e derramando o seu precioso sangue.

  • o culto a Deus – Jesus delegou-o em nós, nos crentes e na Igreja. Por isso vou dar realce ao culto que devemos prestar ao Senhor

Os cultos no novo templo

A Bíblia diz:«…Nós somos o templo» «O nosso corpo é o templo de Deus…» «O nosso corpo é o templo do Espírito Santo…» (1 Cor. 3:16-17, 6:19, 2 Cor. 6:16).

O templo é lugar de culto. Cada um de nós é um lugar de culto. Mas nós não somos apenas o lugar onde se realiza o culto. Nós somos também quem pratica o culto, nós somos os sacerdotes. «Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa…» (1 Ped. 2:9). «…apresenteis os vossos corpos (…) que é o vosso culto racional.» (Rom. 12:1). Nós praticamos dois tipos de culto: O culto individual e o culto colectivo.

O culto individual

O culto individual é o que nós prestamos sozinhos ao Senhor, com os nossos louvores e adoração. Este culto, dentro de nós, deve permanecer constante. Cada crente é um lugar de culto e deve manter no seu coração um culto vivo a Deus (Rom. 12.1).

A linguagem bíblica descreve um culto contínuo no coração do crente: «Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim…» (Sal. 16.8). «Louvarei ao Senhor em todo o tempo, o seu louvor estará continuamente na minha boca.» (Sal. 34:1). «…digam continuamente: engrandecido seja Deus-» (Sal. 70:4). «…regozijai-vos sempre no Senhor (Fil. 4:4).

O tabernáculo foi durante muitos anos um templo ambulante, um lugar de culto ambulante. Agora cada crente é o templo ambulante de Deus, pratica também um culto ambulante! Deus está recebendo constantemente os louvores, a adoração e a gratidão que cada crente transmite para Ele continuamente! No nosso pequeno templo, o culto nunca pára e tem a dimensão que nós lhe quisermos dar. Os louvores e a adoração somos nós que produzimos. Os Aleluias e os louvores são muito importantes para Deus e também para nós. É por isso que é muito importante viver cheios do Espírito Santo (Ef. 5:18-20). O crente cheio do Espírito Santo mantém um culto contínuo dentro de si. Habituemo-nos a viver louvando ao Senhor, sussurrando os nossos alleluias, o nosso amor e gratidão ao Senhor.

Um grande culto está sendo prestado a Deus, continuamente, pelos milhões de remidos em todo o mundo! Como uma nuvem de incense, de louvores de gratidão, de adoração está subindo em toda a terra para Deus.

O culto colectivo na Igreja

(1 Cor. 14:26-33).

A Igreja é o lugar do grande culto. Quando os crentes se reúnem, eles juntam as vários componentes do seu culto - a fé, o conhecimento, as convicções, a esperança, os cânticos, as orações, os louvores, a adoração, etc –, trazem-nas para o culto na Igreja, e fazem uma grande festa ao Senhor. O nosso culto colectivo deve ser sempre uma grande festa. Cada um de nós contribui com a sua parte no culto e no fim recebe a dobrar. Quando nos juntamos na Igreja para cultuar ao Senhor, o nosso culto é a soma dos nossos cultos individuais. Se o nosso culto pessoal está vivo, aceso, o culto na Igreja será vivo, aceso, maravilhoso! Não devemos trazer para o culto na Igreja apenas cinza ou carvão apagado. Devemos trazer também algumas brasas para lançar na fogueira. Todos devemos dar o nosso máximo no culto na Igreja,. O culto será aquilo que nós formos e desejarmos. Não vimos ao culto só para receber, mas também para dar: louvores, adoração e acções de graças a Deus. Aos irmãos, vamos dar amor, comunhão, alegria, ajuda espiritual e orações.

Quando o culto termina na Igreja, recebemos a nossa parte acrescida, fomos avivados, edificados, abençoados. O culto na Igreja é indispensável e fundamental para o nosso culto individual. Saímos com o nosso culto individual despertado e vamos até cultuando pelo caminho.

O culto colectivo terminou, mas o culto individual recomeçou com mais força, nunca pára. Mesmo quando dormimos, os louvores param mas permanecem a gratidão e o amor, e ás vezes até sonhamos com as coisas de Deus. Mal abrimos os olhos, saltam os primeiros «aleluias» e «glórias a Deus»!.